18 de maio é uma data histórica para a reforma psiquiátrica brasileira. O Dia Nacional da Luta Antimanicomial não é uma comemoração, mas um marco de resistência contra o modelo asilar e exclusivo de tratamento para pessoas com transtornos mentais.
A data remete à II Assembleia Nacional do Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), realizada em 1987 em Bauru (SP). No entanto, o símbolo mais forte associado a ela ocorreu dois anos depois, em 1989, com a divulgação do “Manifesto de Bauru” e a icônica cena em que pacientes do Hospital Psiquiátrico de Bauru rasgaram suas camisas de força em praça pública.
Principais significados da data:
- Combate ao manicômio: Luta contra a internação prolongada, desumana e violenta, que historicamente isolava os pacientes da sociedade e negava seus direitos civis.
- Defesa da Reforma Psiquiátrica: Promoção da Lei 10.216/2001 (Lei Paulo Delgado), que garante os direitos da pessoa com transtorno mental e estabelece a preferência pelo tratamento em serviços comunitários.
- Valorização dos serviços substitutivos: Defesa dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), Residências Terapêuticas (Serviços Residenciais Terapêuticos – SRTs) e leitos em hospitais gerais como alternativa ao hospício.
- Lógica da inclusão: O lema é tratar a pessoa com sofrimento psíquico em liberdade, com vínculo social, trabalho, cultura e cidadania, não atrás dos muros do hospício.
A situação atual (contexto político)
Apesar dos avanços, o Brasil vive uma disputa constante no campo da saúde mental:
- Ameaças de retrocesso: Desde 2019, houve tentativas de desmonte da política nacional, como a retomada do financiamento para hospitais psiquiátricos (incentivo às “comunidades terapêuticas” para dependência química) e o fechamento de CAPS em algumas gestões.
- Cronologia perversa: O governo federal, em momentos recentes, passou a destinar verba prioritária para internações em hospitais psiquiátricos, indo na contramão do que prega a luta antimanicomial.
Como a data é celebrada/lembrada:
- Atos públicos: Marchas, panfletagens, rodas de conversa e intervenções artísticas em frente a hospitais psiquiátricos, praças e secretarias de saúde.
- Mobilização dos movimentos sociais: Participação ativa do Movimento da Luta Antimanicomial (MLA), do Conselho Federal de Psicologia (CFP), da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME) e de usuários da saúde mental.
- Eventos acadêmicos e culturais: Exibição de filmes (como “Bicho de Sete Cabeças” ou “Nise – O Coração da Loucura”), saraus e exposições sobre a história da loucura no Brasil.
Frase símbolo:
“Por uma sociedade sem manicômios!”
Se precisar de materiais sobre a história da reforma psiquiátrica no Brasil ou de serviços substitutivos ao manicômio, posso fornecer mais detalhes.